sexta-feira, 10 de abril de 2009

Quando eu volto lá


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Não posso deixar de registrar aqui,as coisas que sinto e penso toda vez que volto à minha Terra Natal,Caçapava do Sul.
Caçapava pra mim é a Matrix.
É SIM.
É como uma dimensão paralela,uma terra que não consta no espaço físico,onde o tempo não é medido pelas horas....
Cá estou pra visitar meu pai,minha madrasta e meu irmão caçula.
Já na estrada quando vou chegando perto do pórtico,principalmente quando tô com a Bruna,o coração vai apertando.
Sim por que o ser humano é masoquista mesmo e adora restaurar nos arquivos do cérebro,todas as boas lembranças da vida e deixar bem claro e escancarado que elas não voltam mais.
Não tô dizendo que não me acontecem coisas boas hoje em dia,tô tentando explicar que "certo tipo" de lembranças principalmente de infância e adolescência,sempre tem este gosto de baú velho,trancado e enferrujado,que não abre mais,guardando com ele tesouros incontáveis.
Então,quando passo pelo pórtico vou lembrando de tanta promessa que fiz,de tanta coisa que disse que jamais faria,das pessoas pelas quais jurei amor eterno,amizades que se desenvolveram,carnavais de outros carnavais...
Reencontrar parentes que há tempos não vejo,constatar que este tal lance de laço sanguineo é realmente algo desconcertante...tu pode passar uma vida sem ver a pessoa mas quando enxerga é como se tempo nenhum houvesse passado....
É também constatar que o tempo passa muito depressa,e que os irmãos mais novos crescem e começam a passar pelos mesmos perrengues que tu já passou,é verificar que a maioria dos teus grandes amigos da época "de ouro" já estão casados,mas que ainda restam alguns que continuam solteiros como tu,fazendo com que as baladas noturnas continuem parecendo um imenso dejavú.
Tô falando de pessoas como o Marcelo Couto,a Bruna(óbvio),o Tuco,Diego Camelo,André Capincho,Vaguinho,Eriton,Renata Ragagnin,Jefinho,Juliano Garcia...e por ai vai...
Pessoas que fizeram parte de um passado que se mistura de um jeito até cruel com o presente.
Cruel eu digo,por que às vezes que conseguimos nos juntar,acabamos por falar de tantas coisas maravilhosas,de tanta amizade,de tanta festa,de tanta parceria,de tantos porres....e percebemos que por mais que ainda façamos isto juntos,não é igual.
Este feriado de Páscoa foi tempo de reencontrar meus primos,de relembrar minha avó,a casa dela na General Osório,suas manias,seus trejeitos,suas reclamações,rabugisses e seu maravilhoso senso de humor,às vezes meio ferino,mas fantástico.
Foi feriado para observar o sol nascendo na Benjamim,ou na saída pra Lavras.
Aliás,espetacular,a paisagem maravilhosa na ida pra Lavras.
Colinas e mais colinas verdes,cheias de pedras gigantescas com desenhos e contornos espetaculares,coroadas de pequenos açudes à sua volta....
O sol nascendo e um silêncio absurdo,que há muito tempo eu não ouvia.
Sim,o silêncio mais barulhento do mundo.
Digo isto por que era tão intensa a falta de sonoridade,que chegava a provocar vertigem.
Estrada pra um lado,estrada pra outro,o sol rachando de tão lindo,o céu azul....aquela imensidão verde e o silêncio....
Ali existe paz.
Naquele exato local,eu enxerguei a paz materializada.
(Volto a dizer que não faço uso de substâncias ilícitas,e que quando devaneio deste jeito,é de cara mesmo)
Sinistro.
E belo,muito belo.
Ahhh...."que saudade eu tenho da aurora da minha vida,da minha infância querida que os anos não trazem mais...."
É assim,Caçapava sempre mexe com meus sentimentos,sentidos e sensações...
Nostalgia,melancolia,saudosismo?
Não sei.
O que eu sinto não tem nome.
Não dá pra rotular,só dá pra sentir.

domingo, 5 de abril de 2009

Mas que merda

Eu já falei.
Não uma,mas duzentas vezes,que nem tudo que escrevo aqui aconteceu de verdade,que nem tudo que conto aqui se passou comigo,que troco os nomes das pessoas,que muitas coisas eu replico do que ouço falar,que conto muitas histórias dos outros....enfim...
Não aguento mais ouvir julgamentos por conta de coisas que escrevo aqui.
Não,se você entra aqui achando que simplismente faço um relato da minha vida,assim como um diário,está completamente equivocado.
Conto sim,quando quero,fatos reais da minha vida e as nomeio.
Mas também conto coisas da vida dos outros,fantasio,romanceio,contemplo.
E me deixem.
Não tentem descobrir o que é real e o que eu invento.
Garanto à vocês que é bem melhor assim.
A realidade nua e crua já é dura demais.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Acontece por ai



Eles se conheceram na balada.
Parece que ela é rata de academia,não trabalha e a tarde vai pra "facul".
Ela tem muitos garotos à sua volta.
Mas pouco sabe da vida.
Ele é mais velho,um tanto sedentário,fumante,e já formado.
Na noite todos os gatos são pardos e as ratas de academia ficam ainda mais apetitosas,e os caras experientes, ainda mais interessantes.
Se pegaram perto da porta do banheiro masculino,acho que ela estava se escondendo de alguém.
Eu acho que ela já tinha catado outro por lá.
Mas é que ao ver Felipe,precisou abandonar o que estava fazendo.
Entre uma música e outra se encontravam na maldita porta do banheiro masculino.
A festa acabou,vomitaram no Felipe que precisou ir embora correndo prá casa pra tirar aquela roupa emporcalhada.
Tinham amigos em comum e às vezes se esbarravam nas festinhas.
Ficavam de vez em quando.
Joana se fazia de difícil e toda vez que dormia na casa de Felipe,saía de mansinho pra ele não acordar.
Parece que se não falasse com ele no dia seguinte,seria como se nada tivesse acontecido,logo ela não ficava no compromisso.
Usando armas mortais como MSN E ORKUT,ficavam num trelelê e não falavam nada que prestasse.
Na verdade ficavam controlando as malditas plaquinhas subirem fazendo aquele barulhinho chato e contando os minutos para o outro chamar.
Os dois faziam charme, trocavam as frases dos seus "nikis",e demoravam horas pra ter coragem de falar.
Quando um falava,várias vezes o outro já tava dormindo e não via.
Só ia ver no outro dia que o fulano tinha chamado,e então não respondia pra não dar bandeira de ser o primeiro a puxar papo.
De vez em quando um mandava mensagem pro outro no meio da madrugada embalados pela marvada cachaça,mas justo neste dia,o outro tava sempre no décimo sono e não acordava.
Era um tal de desencontro,de fazeção,de jogo de "quero mas não digo",de competição pra ver quem era o mais fodão.
As amigas dela achavam ele muito rodadinho,tinha pego gente demais,tinha amiguinhas demais,era experiente demais...
Os amigos dele diziam que ela era areia demais,que era nova demais,que malhava demais...
Estes dias mesmo se encontraram por que ele deu o braço a torcer,depois dela ter ligado para ele dizendo que estava bêbada,mas que queria vê-lo depois de uma festinha bombástica onde ela tinha se divertido muuuuuito com ceva liberada.
Mas depois disto,parece que ela saiu mais uma vez de fininho da casa dele de manhâ cedinho,deixou uma mensagem no MSN dizendo que tinha chegado bem,foi dormir e nunca mais se falaram.
Parece que ainda hoje ela coloca no "niki" do Msn que foi pra academia malhar,ele coloca que foi olhar o jogo do Grêmio,mas ficam em casa olhando pra tela do computador,na esperança do outro chamar.
O tal de destino me disse que nasceram um pro outro,mas não vai ser nesta maldita encarnação que eles vão descobrir.
Foi o que ouvi dizer,não sei.
Acontece.