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Não posso deixar de registrar aqui,as coisas que sinto e penso toda vez que volto à minha Terra Natal,Caçapava do Sul.
Caçapava pra mim é a Matrix.
É SIM.
É como uma dimensão paralela,uma terra que não consta no espaço físico,onde o tempo não é medido pelas horas....
Cá estou pra visitar meu pai,minha madrasta e meu irmão caçula.
Já na estrada quando vou chegando perto do pórtico,principalmente quando tô com a Bruna,o coração vai apertando.
Sim por que o ser humano é masoquista mesmo e adora restaurar nos arquivos do cérebro,todas as boas lembranças da vida e deixar bem claro e escancarado que elas não voltam mais.
Não tô dizendo que não me acontecem coisas boas hoje em dia,tô tentando explicar que "certo tipo" de lembranças principalmente de infância e adolescência,sempre tem este gosto de baú velho,trancado e enferrujado,que não abre mais,guardando com ele tesouros incontáveis.
Então,quando passo pelo pórtico vou lembrando de tanta promessa que fiz,de tanta coisa que disse que jamais faria,das pessoas pelas quais jurei amor eterno,amizades que se desenvolveram,carnavais de outros carnavais...
Reencontrar parentes que há tempos não vejo,constatar que este tal lance de laço sanguineo é realmente algo desconcertante...tu pode passar uma vida sem ver a pessoa mas quando enxerga é como se tempo nenhum houvesse passado....
É também constatar que o tempo passa muito depressa,e que os irmãos mais novos crescem e começam a passar pelos mesmos perrengues que tu já passou,é verificar que a maioria dos teus grandes amigos da época "de ouro" já estão casados,mas que ainda restam alguns que continuam solteiros como tu,fazendo com que as baladas noturnas continuem parecendo um imenso dejavú.
Tô falando de pessoas como o Marcelo Couto,a Bruna(óbvio),o Tuco,Diego Camelo,André Capincho,Vaguinho,Eriton,Renata Ragagnin,Jefinho,Juliano Garcia...e por ai vai...
Pessoas que fizeram parte de um passado que se mistura de um jeito até cruel com o presente.
Cruel eu digo,por que às vezes que conseguimos nos juntar,acabamos por falar de tantas coisas maravilhosas,de tanta amizade,de tanta festa,de tanta parceria,de tantos porres....e percebemos que por mais que ainda façamos isto juntos,não é igual.
Este feriado de Páscoa foi tempo de reencontrar meus primos,de relembrar minha avó,a casa dela na General Osório,suas manias,seus trejeitos,suas reclamações,rabugisses e seu maravilhoso senso de humor,às vezes meio ferino,mas fantástico.
Foi feriado para observar o sol nascendo na Benjamim,ou na saída pra Lavras.
Aliás,espetacular,a paisagem maravilhosa na ida pra Lavras.
Colinas e mais colinas verdes,cheias de pedras gigantescas com desenhos e contornos espetaculares,coroadas de pequenos açudes à sua volta....
O sol nascendo e um silêncio absurdo,que há muito tempo eu não ouvia.
Sim,o silêncio mais barulhento do mundo.
Digo isto por que era tão intensa a falta de sonoridade,que chegava a provocar vertigem.
Estrada pra um lado,estrada pra outro,o sol rachando de tão lindo,o céu azul....aquela imensidão verde e o silêncio....
Ali existe paz.
Naquele exato local,eu enxerguei a paz materializada.
(Volto a dizer que não faço uso de substâncias ilícitas,e que quando devaneio deste jeito,é de cara mesmo)
Sinistro.
E belo,muito belo.
Ahhh...."que saudade eu tenho da aurora da minha vida,da minha infância querida que os anos não trazem mais...."
É assim,Caçapava sempre mexe com meus sentimentos,sentidos e sensações...
Nostalgia,melancolia,saudosismo?
Não sei.
O que eu sinto não tem nome.
Não dá pra rotular,só dá pra sentir.
